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Cultivo de hortas com crianças – Parte 1/2

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Quando Noree Greimann de Pennsylvania, EUA, era pequena, ela adorava cavar buracos na terra e ver as plantas crescerem no jardim que sua mãe e avós cuidavam. Quando adulta, a paixão de Greimann por plantar sua própria safra apenas cresceu, então quando teve filhos não podia esperar para compartilhar este amor pelo cultivo de hortas com eles.

Mas o que não sabia era que a jardineira organizada que morava dentro de si teria um grande choque. “Antes de meus filhos nascerem, eu planejava meu jardim de forma meticulosa. Toda semente e planta estava cuidadosamente colocada em seu lugar,” Greimann lembra. “Tudo mudou quando meus filhos começaram a se interessar por jardinagem. Meu entusiasmo inicial diminuiu ao ver que eles tinham sua própria visão sobre onde as sementes deveriam ficar.”
Jardinagem com crianças é boa para a alma
O cultivo de horta com crianças pode ser um desafio no começo, mas se você conseguir ultrapassar a propensão natural de crianças para o caos, as recompensas deste hobby são abundantes, tanto para as crianças quanto para os adultos. Uma pesquisa sugere que quando inalamos, ingerimos ou quando um corte na pele entra em contato com certas bactérias do solo, especificamente Mycobacterium vaccae, o cérebro libera serotonina, que por sua vez pode reduzir o estresse e aumentar sentimentos de felicidade. Como muitos horticultores experientes podem confirmar, esta atividade é terapêutica e é uma experiência que melhora o estado de espírito.

Para crianças, o jardim também é o local perfeito para fazer atividade física, ganhar hábitos de alimentação saudável e aprender sobre o mundo. Um estudo até mostrou que crianças que participavam em um projeto de jardinagem tinham notas mais altas em ciências do que crianças que não participavam. “Jardinagem com crianças as beneficia (e aos adultos) em inúmeros jeitos que você não vê na superfície – habilidades motoras, reconhecimento de cores, ciências, matemática e qualquer outra coisa que você conseguir pensar”, diz Christina Kemp, uma mãe e cuidadora de crianças em sua casa de Oklahoma, EUA, que escreve crônicas sobre suas aventuras em jardinagem com crianças no seu blog Little Sprouts Learning. “O jardim é o melhor professor que já encontrei em meu tempo de trabalho com crianças.”
Ferramentas de iniciantes para jardinagem com crianças
Isso tudo soa ótimo. Mas e se você nunca cultivou hortas antes, muito menos com crianças? E se você não tem um quintal? Ou pior, luta para manter o cacto de seu escritório vivo? O consenso entre os gurus da jardinagem é para tentar assim mesmo. “Fique animado você mesmo e faça disso uma aventura de aprendizado para todos”, sugere Greimann, que muitas vezes usa histórias para introduzir crianças à jardinagem. “Se você estiver duvidando de você mesmo e se perguntando se tem o que precisa para crescer vegetais, suas crianças irão se apegar a isso.”

Especialistas sugerem que iniciantes em cultivo de hortas mantenham as coisas pequenas e simples, para evitar que fiquem sobrecarregados. Se espaço é um problema, considere plantar alguns vegetais em canteiros de flores ou vasos em uma varanda ou deck. Terra, sementes, pá, um regador ou mangueira e algum composto é tudo o que você precisa para começar.

Kemp, que diz ter tido um “dedo preto” até quando aprendeu jardinagem sete anos atrás, recomenda prestar atenção extra ao solo. “O solo é a coisa mais importante no jardim, então gaste seu tempo e dinheiro nisso. É o fator decisivo para que a planta cresça ou não”, ela diz. Adicione a isso muita paciência quando cultivando hortas com crianças. “Eles irão cometer erros – nós também – então não espere perfeição. Eles estão aprendendo”, diz Kemp; as crianças de que cuida, de 1 a 4 anos de idade, ajudam a plantar tudo em seu jardim.
Jardinagem com crianças deve ser orgânico
Kemp diz que ela usa seus próprios sentimentos de maravilha e admiração para deixar as crianças em seus cuidados animadas com o jardim, e seu entusiasmo é contagiante. “Eu não forço as crianças a trabalharem no jardim; nós temos brinquedos disponíveis para quando quiserem fazer outra coisa,” ela diz. “Eles não estão todos sentados em uma fila plantando e colhendo todos ao mesmo tempo. Eles entram e saem da atividade como qualquer outra coisa que fazemos.”

Outro jeito de encorajar as crianças a tomarem posse do jardim é as incluir no processo de planejamento e incorporar suas ideias, de acordo com o American Community Gardening Association. Crianças mais velhas podem estar envolvidas em uma análise de local, para ajudá-las a entenderem a importância da luz, do solo, drenagem e outros fatores ambientais importantes que afetarão a colheita.

A ACGA também sugere focar mais na função do jardim do que na estética. “Jardins que servem como um laboratório de aprendizagem prática para crianças serão bonitos porque são espaços bem-usados e bem-amados. Também tenha em mente que o senso de beleza da criança pode não ser o seu; está tudo bem porque o jardim é o espaço dela.”
Cultivo de hortas com crianças ensina aos pais também
Greimann, que inicialmente lutou com o tumulto de suas crianças no jardim, diz que eventualmente acharam um meio termo. Ela percebeu que sementes ainda brotam mesmo não estando em uma linha reta perfeita, e que vagens podem ser colhidas puxando a planta inteira ao invés de pegar uma a uma. Mas sua melhor dica para paz de espírito enquanto cultiva hortas com crianças é dar seu espaço separado para experimentação. “Assim as crianças podem escavar e plantar a seu desejo enquanto aprendem também a crescer vegetais desde a semente,” ela diz.

Agora ela gosta de jardinagem novamente, mesmo se nem todas as plantas crescerem. Aprender a lidar com o fracasso de colheitas é parte do processo de aprendizagem para jardineiros de todas as idades e níveis. “Sim, plantas irão morrer. Mas a mágica da jardinagem com crianças  supera e muito a tristeza de uma planta morrendo se você está preparado para ver isso. Apenas observe a admiração em seus olhos ao plantar as primeiras sementes ou colher ervilhas frescas para um lanche. O resto irá se ajeitar.”

 

Tradução do artigo original de Jennifer Fontaine para Outdoor Families Magazine.
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